Como formar preço sem pagar para trabalhar – Parte 2



2 – A importância do custo do capital imobilizado.

Todo profissional precisa de um equipamento mínimo. No caso do fotógrafo, máquina, lentes, flash, flanelas de limpezas, estojo para armazenar equipamento, computador para tratar e armazenar imagens. Todo este equipamento tem uma vida útil, o que é muito importante lembrar para fazer uma precificação adequada.

Mesmo que seja iniciante e tenha as naturais dificuldades para entrar no mercado, o profissional tem que levar em consideração que este equipamento vai ter que ser substituído em pouco tempo. É possível mais de um método para chegar ao valor mínimo do preço praticado. A demonstração abaixo é uma ferramente mínima para que alguns custos normalmente desconsiderados não passem em branco.

2.1 – Somar todos os valores, e relacionar à vida útil dos equipamentos (de 3 a 5 anos) para chegar a um preço mínimo que mantenha o equipamento.

A vida útil do equipamento fotográfico profissional, e dos eletrônicos em geral, vai de 3 a 5 anos. A conta é simples, apesar de um pouco comprida. Soma-se o valor efetivamente pago por todos os equipamentos, divide-se pela vida útil em anos ou em meses, e obtém-se o valor mensal para que no mínimo o equipamento seja substituído.

Exemplo: Vamos supor uma câmera qualquer, com vida útil de 3 anos, após o que tende a quebrar o obturador ou ficar obsoleta. O mesmo para o computador. (Aqui podem entrar itens variados, como veículo para transporte próprio, etc.)

  • Câmera (corpo sem lente): R$ 2.000,00
  • Lentes (conjunto): R$2.500,00
  • Flash: R$800,00
  • Computador básico para tratar imagens: R$1.200,00

Total: R$6.500,00.

Este é o valor mínimo a ser recuperado em 3 anos (ou 36 meses). Não estamos tratando aqui da subsistência do profissional.

Convertendo em meses:

R$6.500,00/36 meses = R$ 180,00 por mês

(180 reais por mês – apenas para manter o equipamento mínimo de fotografia e tratamento).

2.1.1 – Considerações.

Tendo consciência desses valores, é possível caminhar sozinho em várias circunstâncias: se a fotografia é a atividade principal, e diária, deve haver planejamento baseado em 20 dias de trabalho por mês.

Por outro lado, se é fotografia de final de semana, fazendo freelancer em casamentos, por exemplo, a base do cálculo deve ser em no máximo 8 dias por mês.

Exemplos:

a – Fotografia cotidiana: custo mínimo de R$ 180,00 distribuído em 20 dias de trabalho = 9  reais apenas para manter o equipamento. Lembrar que é ideal, se um dia não tiver trabalho, o valor de um dia terá de se compensado no outro, de preferência distribuindo nos demais trabalhos.

b – Fotografia apenas de final de semana: custo mínimo mensal de R$ 180,00 dividido no período otimista de 8 dias de trabalho (clientela todo sábado e domingo) = R$22,50 por dia, apenas para manter o equipamento.


2.1.2 – Conclusão.

Este método é mais adequado para quem não tem muito rigor no controle das contas, que é o caso das maioria das pessoas. Percebe-se que a noção dos valores permite conclusões mais precisas sobre o preço a ser praticado, e em cima deste valor ideal é que se faz modificações, incluindo noções que as pessoas tem mais facilmente, como o quanto se gasta por dia para alimentação, transporte, etc.

Exemplo:

Suponha-se um fotógrafo iniciante, com esses equipamentos de valor mais baixo, cobrindo apenas casamentos no final de semana. Como vimos, seu custo mínimo para manter o equipamento é R$ 22,50 por dia de trabalho.

Deve acrescentar a estes valores os gastos diários normais, por exemplo:

  • R$10,00 de alimentação
  • R$5,00 de transporte

Apenas com esta reflexão já se percebe o mínimo de R$50,00 por dia para mal se manter na profissão, sem enriquecer, e sem pagar os impostos obrigatórios. Porém, sabe-se que muitos profissionais praticam preços semelhantes para tentar entrar na profissão.

É claro que o início na profissão obriga a aceitar situações menos vantajosas. Porém, conclui-se que, persistindo nesta tentativa, infelizmente tais profissionais tenderão a passar fome. Esta estratégia de preços baixos deve ser aplicada o mínimo possível, portanto.

Além disso, a estratégia de preços comum a vários iniciantes deve ser modificada rapidamente, para permitir que custos como moradia sejam cobertos pela profissão.

Como estimativa final, somamos os seguintes itens, com base no valor diário, e considerando alguém que pode ter percalços como a falta de clientela em 1/3 dos dias de trabalho.

(custo de manutenção de equipamentos) + (transporte) + (alimentação) + (moradia) + (vestuário) + (publicidade) + (capacitação) + ( valor do CD com fotos)

R$22,50 + R$4,50 + R$10,00 + R$20,00 + R$2,00 + R$3,00 + R$1,00 =

=R$ 63,00.

Ou seja, se vai fazer um trabalho a se pago por fotos, e estima um mínimo de 10 fotos aceitas, poderia precificar idealmente em R$ 6,30 por foto, no mínimo, e sem considerar os impostos.

Porém, levando ao caso concreto, como há dias em que não vai haver trabalho, a estimativa deve ser realista. Se metade dos dias disponíveis não há trabalho, o preço tenderá a ser mais próximo de 13 reais por foto.

Do mesmo modo:

  • se o mercado é saturado de profissionais com a mesma competência, o preço tenderá para baixo.
  • Se for um local com poucos profissionais, o valor tenderá para cima.
  • Se a diferença entre o iniciante e os já estabelecidos for muito grande, o valor do iniciante tenderá para baixo.
  • Se o profissional faz muitos cursos, o preço tenderá para cima (e aqui recomenda-se incluir o valor estimado nos gastos com capacitação)

E assim por diante, mas sempre com base em dados concretos a respeito dos custos mínimos.

Esta é uma tentativa de fazer um guia informal e simplificado ao máximo sobre como precificar o próprio trabalho, com o mínimo de fundamentos econômicos. Na publicação seguinte tentaremos estabelecer uma maneira mais completa.


Continua…

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