Como formar preço sem pagar para trabalhar – Parte 1


Todo profissional tem dificuldades para estabelecer qual a sua remuneração justa. Para o empregado o problema é menor porque a tendência é comparar com o colega de trabalho. Para o profissional autônomo, entretanto, surge uma imensa dificuldade.

O advogado, fotógrafo, contador, desenhista, além dos genericamente denominados “freelancer” tendem a estabelecer seu preço também por via de comparação com outros profissionais.

Usar este método é natural, afinal, “a tendência para a imitação é instintiva no homem, desde a infância”, dizia Aristóteles em “Arte Poética”, secundado por Chacrinha “nada se cria, tudo se copia”, demonstrando que O Filósofo não estava só.

Mas o problema é que a comparação pode levar a um preço fora da realidade, que não cubra sequer os custos mínimos para o profissional trabalhar, e muito menos a sua subsistência digna. Para quem tem família a sustentar, então, usar este método isoladamente é o começo de uma bela dor de cabeça.

É claro que não nos atreveremos a entrar profundamente nos problemas das ciências da Administração e da Contabilidade, mas algumas questões que passam desapercebidas podem ajudar a estabelecer um preço de maneira mais coerente.

1 – Fundamentos gerais.

É preciso ter a consciência de que a tarefa de estabelecer preço não diz respeito  a agradar a clientela. Esta na verdade é uma meta secundária. A meta primária é estabelecer um valor que permita a sobrevivência e manutenção na profissão. Concentraremos a exposição no exemplo de um fotógrafo, mas os argumentos valem para as demais profissões, substituindo-se apenas os equipamentos básicos.

É fundamental entender que o preço é determinado por regras de mercado. Especificamente da microeconomia, em que se considera um mercado ideal, com concorrentes ideais, e que se movem com coerência, sempre idealmente.

Tentar estabelecer um preço pensando em casos concretos, antes de fazer o mínimo de estudo sobre o comportamento ideal, leva ao grande risco de se pagar para trabalhar.

Um profissional responsável deve ter conhecimentos mínimos, ainda que rudimentares, a respeito de Economia. Se a sua empresa quebrar por negligência sua, serão os sonhos de alguns de seus clientes que irão falir junto com os seus.

Portanto, o melhor método é estabelecer um preço ideal para que depois seja adaptado às suas circuntâncias concretas. Com isso é possível inclusive direcionar melhor a carreira.

Por exemplo, se o fotógrafo percerber que os valores praticados no mercado de casamentos estão absurdamente abaixo daquele mínimo que cobriria os custos, então é melhor tentar direcionar esforços também para um mercado substitutivo, como o de festas de debutantes, enquanto o outro se recupera. Desse modo é possível ao profissional manter uma tabela de preços mais altos no seu ramo desejado, sem que seja derrubado pela asfixia financeira.

Continua…

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