Porque não me ufano da feijoada.


Pequeno gordinho, mas já iniciado nos assuntos gastronômicos, lembro de ter lido em algum canto que os negros contibuíram para a cultura brasileira com a feijoada.

A história poderia ter sido tão interessante quanto a origem da mandioca ou do chocolate, que têm alguma coisa relacionada a índios. Mas eu tinha um antepassado afrodescendentão, meu avô Antonio, que me torna precisamente e tecnicamente e politicamente corrretamente um eurafrodescendentinho. Ou então um afroeurodescendente, para que não se alegue privilégios lingüísticos indevidos.

Fato é que o acaso jurídico-genético não me tornou nem moreno suficiente para militar por cotas no PT-PSOL, nem herdeiro o suficiente para baronear uma cota nos cargos em comissão pelo PSDB-DEM.

Adepto do justo meio aristotélico, e ficando na média da melanina entre a Europa e a África, tive mesmo que estudar forte para passar no vestibular e me filiar às duras cadeiras escolares da USP, passando a viver de ser classe média.

Talvez por este motivo é que, muito mais do que a história da feijoada, tenha me chamado atenção a lista a seguir, que conta algumas coisas que não teríamos se não fossem os negros. É bom lembrar que não havia cotas. Pura meritocracia:

“Sarah Boone => inventou a tábua de passar roupa
Jan E. Matzelinger => inventou a máquina de colocar solas nos sapatos
Lydia O. Newman => inventou a escova de cabelo
Madame C. J. Walker => invenções para tratar dos cabelos
Lloyde P. Ray => inventou a pá de lixo
Thomas W. Stewart => inventou o esfregão
George T. Samon => inventou a secadora de roupas
William Purvis => inventou a caneta-tinteiro
Lee Burridge => inventou a máquina de datilografia
W. A. Lovette => a prensa de impressão avançada
John Burr => a máquina de cortar grama foi inventada por este homem negro
Richard Spikes => inventou a mudança automática de marchas
Joseph Gammel => inventou o sistema de supercarga para os motores de combustão interna
Garret A. Morgan => um homem negro, foi o inventor do semáforo
John Standard => inventou a geladeira
Alice Parker => uma mulher negra, inventou a fornalha de aquecimento
Frederick Jones => inventou o ar condicionado
Elbert R. Robinson => inventou o bonde elétrico, o precursor do ônibus
Alexander Miles => foi o inventor do elevador
Philip Downing => o inventor da caixa de correio para a colocação de cartas
William Berry => inventou a máquina de carimbo e de cancelamento postal
Lewis Howard Latimer => inventou o filamento de dentro da lâmpada elétrica
Charles Drew => encontrou uma forma para preservar e estocar o sangue, o que o levou a implantar o primeiro banco de sangue do mundo
Daniel Hale Williams => que executou a primeira cirurgia aberta de coração”


Como convém no sistema de mérito, que se contrapõe ao sistema de igualdade total e sem critérios, lançaram na Inglaterra um livro importante para demonstrar a relevância das contribuições dos negros, no link abaixo. A Inglaterra e o texto fazem lembrar, aliás, duas coisas.

Primeiro o Hamilton, que deu um baile na F-1 nos dois anos de estréia. E também o grande professor Jorge, negro, vindo da Cidade do Cabo, na África do Sul, para pesquisar Direito na UFPR e por várias das melhores universidades da América Latina e da Europa.

Este grande professor deu uma das melhores aulas que já vi, ensinando que a África tem uma história profunda. Tudo isso sentado à mesa de um bar com jeitão germânico, regado a um excelente choppe, e sem nenhum rancor derivado de preconceito contra brancos.

Não coloco como terceiro exemplo o respeito adquirido pelo ministro Joaquim Barbosa junto à população branca e negra – em comparação com os expoentes mais claros do tribunal – depois de ter a coragem de declarar o que se espera de uma instituição com função jurídico-política como o STF. Não entro nesse assunto em nenhuma hipótese, por respeito à sova que metade mais pálida da minha origem genética tomaria neste caso. Por isso limito-me a também dar um “jeitinho” no assunto e me recuso a apreciar o mérito da questão.

Excluídos os bons exemplos concretos que nós temos, nessa briga abstrata entre branco e negro, eu tomo tanto partido quanto se me perguntassem se eu torço pelo meu pé direito ou pelo pé esquerdo em  um jogo de futebol, mas conhecer a história vale a pena, e quem sabe amplie a cultura das duas torcidas, reduzindo a violência.

Penso que se o “Homem”  tivesse liberado Adão e Eva nos tempos da Pangéia, a briga seria tão relevante quanto uma final BrasilxArgentina no campeonato mundial de Pólo Aquático: mero pretexto para beber junto com os adversários.

O texto do link se aprofunda na história com fatos interessantes.

http://www.geledes.org.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=69&Itemid=225

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