O modelo da saúde pública no Brasil.


A Folha publica reportagem a respeito do óbvio. A proliferação dos planos de saúde na década de 90 prometia universalização do acesso à boa medicina. O acesso universal à medicina, entretanto, deveria ser função do estado, através do SUS.

Como não existe lanche grátis, quanto maior a quantidade de usuários, maior a tendência de absorver a parte mais baixa dos prestadores de serviço – dizemos parte baixa em relação à qualidade do serviço prestado, com filas, atendimento apressado, disponibilidade de material de menor preço.

O resultado é um serviço com o padrão que popularmente (e equivocadamente) se generaliza ao  SUS, mas com preços dignos de Albert Einstein. Isto quando o serviço de saúde mediano deveria ser gratuito por ordem da Constituição Federal.

“Planos ruins atendem 23% dos usuários, afirma ANS

Cerca de 9 milhões de clientes são atendidos por operadoras insatisfatórias

Segundo a Agência Nacional de Saúde, 49,7% dos planos de saúde oferecem serviços abaixo do nível que é considerado satisfatório

DA SUCURSAL DO RIO

Os planos de saúde médico-hospitalar mal avaliados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) atendem a 23% dos usuários desse serviço, apontou pesquisa do órgão realizada com dados do ano passado. De acordo com a agência, são pouco mais de 9 milhões de clientes atendidos por operadoras consideradas insatisfatórias pela análise.
Na avaliação por empresa, o diagnóstico da ANS mostra que quase a metade (49,7%) das operadoras oferece serviços abaixo do nível considerado satisfatório pela agência.
Entre os planos odontológicos, os beneficiários contam com um atendimento melhor, embora a oferta seja proporcionalmente pior se comparada ao médico-hospitalar.
Enquanto 17,7% dos usuários (1,4 milhão de pessoas) desses planos são atendidos por operadoras consideradas ruins, a oferta de serviço insatisfatórios, na análise da ANS, é de 60,9% do total.
Atualmente, 50,2 milhões de pessoas são beneficiárias de planos médico-hospitalar e/ou odontológico. O serviço é oferecido por 1.707 operadores. A pesquisa da agência atingiu 1.480 empresas, com 47,5 milhões de usuários.
Na avaliação do diretor-presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, ter 23% dos usuários em planos médico-hospitalares considerados insuficientes “mostra que temos um caminho longo a percorrer, do ponto de vista de melhorar a performance do setor”.
A reportagem procurou a Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) e a Federação Nacional de Saúde Suplementar para comentar os dados, mas não houve resposta até a conclusão desta edição.
A avaliação da ANS considerou 31 indicadores divididos em quatro seções: atenção à saúde, capacidade econômico-financeira, estrutura e operação e satisfação dos beneficiários. O resultado é o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), que varia de 0 a 1, sendo 1 a melhor avaliação.
O resultado, disponível no site da agência, divide os operadores em cinco categorias: 1 a 0,8; 0,79 a 0,6; 0,59 a 0,4; 0,39 a 0,2; 0,19 a 0. As duas últimas são consideradas insatisfatórias pelo órgão.
De acordo com o diretor-presidente da ANS, a atenção à saúde e as garantias financeiras das empresas foram os quesitos que puxaram para baixo a nota das operadoras.
Segundo ele, ainda há “alta taxa de cesariana, um grande conjunto de diabéticos evoluindo para amputação, hipertensos evoluindo para problemas cardiovasculares mais graves, extração de muitos dentes em vez da prevenção”.
“Do ponto de vista econômico é basicamente a questão da constituição das garantias financeiras, reservas adequadas para o tamanho da sua carteira e fazer frente a eventuais sazonalidades”, diz Santos. Essas reservas são importantes para caso de crescimento repentino na demanda por serviços, como em caso de epidemia”.

Fonte: Folha de São Paulo

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