Câmara autoriza uso de 30% do FGTS para fundo de investimentos do PAC


A Folha noticia que a Câmara aprovou proposta no sentido de que até 30% do saldo do FGTS possa ser usado para aplicação em fundo de investimento criado pelo governo federal para financiar as obras do PAC.

A notícia é excelente, pois o FGTS – conta que todo trabalhador assalariado tem, ainda que não saiba de sua existência – é uma conta que tende a ter valores altos imobilizados. O dinheiro é depositado mensalmente pelo empregador, e o trabalhador só pode mexer no caso de demissão sem justa causa, ou em hipóteses específicas, como esta autorização do Legislativo para a aplicação no PAC.

Ao final da década de 90 uma autorização semelhante foi dada para que o trabalhador aplicasse o FGTS em ações da Petrobrás. Quem realizou a operação e manteve as ações, hoje está com a aposentadoria garantida e bem gorda. Nos tempos áureos as ações da Petrobrás chegaram a subir mais de 60% ao ano, repetindo o desempenho por meia década.

Entretanto, esta experiência boa não é garantia de repetição. A principal diferença é que o investimento na Petrobrás era feito diretamente em ações da empresa. Aplicação em ação é sempre mais vantajoso porque reduz taxas de administração, e vincula a uma empresa que tem de se manter lucrativa – em que pese o risco maior de as ações estarem concentradas em um único ativo.

Com o fundo de investimento do PAC, contudo, o investimento não será direto, mas em um fundo de ações que financia obras do governo, através de parcerias, PPP, convênios, e todas as modalidades de integração entre estado e sociedade civil.

Além disso, o setor de infraestrutura tem o problemas amplamente conhecidos com propinas, desvios, embargos e obras pela metade. Soma-se a ineficiência vista na gestão dos recursos públicos e na manutenção de infraestrutura como rodovias, ferrovias e portos.

A experiência boa do investimento do FGTS na Petrobrás soma-se à experiência ruim da gestão pública nos últimos 500 anos, e ainda o caráter eleitoreiro atribuido ao PAC, que traz o risco de grandes esqueletos de obras públicas dando prejuízo pelo país. Dessa soma, tenta-se retirar a resposta sobre se vai ser um bom investimento.

A resposta, como tudo que se refere a investimentos é: depende. Para saber se vale a pena, vão algumas perguntas:

  1. Você tem o perfil de investidor que assimila bem o risco de perder parte desse dinheiro investido, no caso do PAC ser um fracasso?
  2. Caso a resposta seja afirmativa, tem perfil do investidor de prazo médio a longo, que mantém a aplicação mesmo no caso de baixa, sabendo que a tendência do mercado é se recuperar e subir?
  3. Você confia no plano bem executado e na lucratividade do PAC?

Se a resposta a esta três perguntas for sim, talvez valha a pena analisar com mais cuidado a proposta do governo, comparar a rentabilidade da conta do FGTS com a rentabilidade possível no PAC, excluir inflação e taxas de administração, ler bem a proposta do inicío ao fim. procurar saber quem vai executar, e finalmente pensar em dizer “sim” a este casamento longo, e talvez feliz.

Leia a notícia da FOLHA:


A Câmara dos Deputados autorizou os trabalhadores a usarem até 30% do saldo na conta do FGTS para aplicar no fundo de investimento criado pelo governo para financiar as obras de infraestrutura do PAC. O limite atual, proposto pelo governo, é de 10%.
Os deputados também aprovaram permissão para o governo aumentar a transferência de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para o fundo de investimento do próprio FGTS. O limite passa a ser o de 80% do patrimônio líquido do fundo registrado em 31 de dezembro do exercício anterior àquele em que der a autorização para a integralização das cotas. Atualmente, o limite já é de 80%, mas do patrimônio líquido registrado em 2006.

Continua…

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2708200924.htm

*Atualização em 28/08/2009:

A Folha traz os dados que eu confesso que não apurei:

  • FGTS rende 3% + TR, que dá cerca de 4,5% ao ano.
  • Fundo de investimento do PAC promete ao redor de 9% ao ano.

Ou seja, o dobro de rentabilidade, e com juros compostos. Significa que o saldo dos juros acumulados ao final do período vai se somar ao montante total, para que os juros recaiam também sobre o produto dos juros do período anterior.

Isto para um dinheiro que ficaria obrigatoriamente parado e amarrado, sem que o trabalhador possa movimentá-lo.  Parece bastante vantajoso, desde que se preste atenção aos riscos referidos acima, e também ao regulamento que ainda será publicado.

Um dos pontos fundamentais a ser observado no regulamento é, em caso de demissão, o dinheiro poderá ser retirado do fundo ao se sacar o FGTS? Por enquanto existe apenas especulações sobre o assunto.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u616100.shtml

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